sábado, 16 de agosto de 2008

Ricardo/Emanuel salva match points, vence russos e segue na briga pelo bi


Foi suado, os russos Barsuk e Kolodinskiy deram mais trabalho do que se esperava, mas Ricardo e Emanuel venceram a dupla européia por 2 sets a 1 (18-21, 25-23, 15-12) neste sábado, avançaram às quartas-de-final do vôlei de praia masculino em Pequim e seguiram na briga pelo bicampeonato olímpico.


Na próxima fase, os brasileiros encaram os norte-americanos Gibb e Rosenthal, que também tiveram trabalho mas passaram com 2 sets a 0 pelos espanhóis Herrera e Mesa, parciais de 26-24 e 21-17. Já os russos voltam para casa.


Com a classificação de Ricardo e Emanuel, o Brasil coloca suas quatro duplas de vôlei de praia nas quartas-de-final das Olimpíadas. Assim como os compatriotas, Ana Paula/Larissa, Renata/Talita e Márcio/Fábio Luiz também seguem vivos na competição.


O primeiro set começou com Ricardo muito inspirado no bloqueio, mostrando por que é apelidado de "Block Machine" (Máquina de Bloquear). Após parar o russo Barsuk em quatro ataques consecutivos, o baiano foi responsável pela virada brasileira no início da parcial, 6-4, depois de a dupla verde-amarela estar perdendo por três pontos de diferença. Não demorou, porém, para que os europeus retomassem a dianteira no placar.


Confirmando a fama de bom sacador já apresentada em duelo contra Márcio e Fábio Luiz na primeira fase, Kolodinskiy passou a encaixar muito bem os seus serviços. Quando não fazia ace, e foram três no primeiro set, o russo desmontava a defesa brasileira. Foi assim que sua dupla voltou a abrir vantagem e fechou com 21-18, em um toque de cobertura de Barsuk no fundo da quadra brasileira.


Ricardo e Emanuel voltaram mais atentos para a segunda etapa, conseguindo controlar a potência da dupla russa. Em um bloqueio de Emanuel, os brasileiros abriram três pontos de vantagem (8-5), diferença ampliada logo em seguida com um ace também de Emanuel em saque sem força.


Mas foi exatamente a falta de potência do serviço brasileiro que virou um prato cheio para os europeus. Barsuk, principal alvo dos saques, passou a cravar todas as suas bolas, e a Rússia virou: 18-17.


Os russos abriram dois pontos de vantagem e chegaram a 20-18, tendo dois match points. Mas com três bloqueios consecutivos de Ricardo, os brasileiros viraram, 21-20. A partir daí, foi uma série de viradas e set points para os dois lados, até que Ricardo, mais uma vez, plantou sua muralha diante de Barsuk, e o Brasil fechou com 25-23, forçando o tie-break.


Na parcial final, o equilíbrio se manteve, com os dois times se revezando na dianteira do placar. Os russos saíram na frente, os brasileiros viraram e os adversários retomaram a vantagem, obrigando Ricardo e Emanuel a correrem atrás no marcador, sempre com a diferença de apenas um ponto separando os times.


Em um ataque certeiro de Kolodinskiy, os russos abriram dois pontos pela primeira vez com 9-7 no placar do terceiro set. Mas o empate brasileiro (10-10) veio justamente em um erro de ataque do principal jogador da dupla adversária. Em seguida, os brasileiros conseguiram a virada com um toque na rede de Barsuk e abriram três pontos com mais dois bloqueios seguidos de Ricardo (13-10). Os russos tentaram a reação, mas com um ataque de Emanuel, os brasileiros fecharam com 15-12, asssegurando a classificação.

Brasil vence jogo de força com a Polonia e se classifica no vôlei



Em uma partida que o jeito levou vantagem sobre a força, a seleção brasileira masculina de vôlei venceu a Polônia por 3 sets a 0 na noite deste sábado (manhã no Brasil), com parciais de 30-28, 25-19 e 25-19, e se classificou para as quartas-de-final dos Jogos Olímpicos com uma rodada de antecedência.


Com o resultado, a seleção brasileira chegou aos sete pontos no grupo B, com três vitórias e uma derrota. A equipe divide a segunda colocação com a Polônia, mas leva vantagem no critério de ponto average. A Rússia, com oito pontos (quatro vitórias), lidera a chave.


Na última rodada, na segunda-feira, o Brasil vai tentar ficar com o primeiro lugar do grupo. Para isso, os poloneses precisam vencer a Rússia, em confronto direto, e os brasileiros derrotarem a Alemanha com boa margem para decidir no quesito de desempate.


Se a liderança escapar, a seleção brasileira deve ficar em segundo ou terceiro e ter um caminho mais difícil nas quartas-de-final. O duelo mais provável, neste caso, é contra Itália ou Bulgária - uma garantia de partida eletrizante.


A boa notícia para os brasileiros é que o ponta Giba, poupado nas partidas contra Sérvia e Rússia por causa de uma tendinite no ombro direito, jogou normalmente neste sábado. O atleta, que havia entrado apenas nos pontos finais na derrota para os russos, participou dos três sets contra a Polônia.


"O ombro está cada dia melhor. Hoje não atrapalhou em momento nenhum", disse Giba, maior pontuador da partida com 16 acertos.


Os poloneses tinham uma única tática para derrotar o Brasil: sacar forte para quebrar o passe. Os três primeiros serviços da Polônia pararam na rede. Quando a equipe européia finalmente conseguiu acertar o saque complicou a defesa brasileira. Aproveitando também a força do ataque do oposto Winiarski, a Polônia abriu uma pequena vantagem na parcial. O Brasil, entretanto, achou uma maneira de segurar a força do adversário.


Um ataque de André Nascimento fez com que o time do técnico Bernardinho passasse à frente do marcador (17-16). Mas a Polônia não se rendeu, e recuperou a vantagem com um bloqueio em Dante (21-20). No final do set, os dois times tiveram chance para fechar. O Brasil acabou levando a melhor e, com um ataque de fundo de Dante, fez 30 a 28 em 32 minutos.


A vitória brasileira desestabilizou a Polônia, que mesmo com o apoio de sua barulhenta torcida não conseguiu complicar a vida do Brasil no segundo set. No meio da parcial, Bernardinho ainda colocou Murilo no lugar de Dante.


Com um bom saque e uma defesa organizada, a seleção brasileira seguiu tranqüila em quadra. O levantador Bruninho entrou no final do set e fez o ponto decisivo, 25-19, com um ace.


No terceiro set, o jeito seguiu levando vantagem sobre a força. Enquanto os ataques potentes dos poloneses iam para fora ou ficavam no bloqueio na maioria das vezes, as bolas "marotas" dos brasileiros iam ao chão. Um ataque de Gustavo definiu o jogo em 25-19.


"Acho que jogamos melhor do que nas finais da Liga Mundial ou na partida contra a Rússia", analisou o técnico Bernardinho.

César Cielo é ouro nos 50m livre e faz história na piscina do Cubo d'Água


O nadador César Cielo Filho conquistou a primeira medalha de ouro do Brasil nos Jogos Olímpicos de Pequim e levou o país ao lugar mais alto do pódio pela primeira vez na história da natação olímpica, ao vencer a prova dos 50 metros livre.

O brasileiro, de 21 anos, completou a prova no Cubo D'Água com o tempo de 21.30, novo recorde olímpico da prova e que ficou apenas dois centésimos acima do recorde mundial. Os franceses Amaury Leveaux (21.45) e Alain Bernard (21.49) foram os outros medalhistas.

Esta é a segunda medalha de Cielo em Pequim, depois do bronze nos 100 m livre. A natação do Brasil já conquistou 11 medalhas em Olimpíadas, mas esta foi a primeira dourada.

Agora o país tem cinco medalhas nos Jogos Olímpicos de Pequim, uma de ouro e quatro de bronze. Além dos dois pódios de Cielo, o país conquistou três terceiros lugares no judô.

O nadador paulista, que estuda em Auburn, nos Estados Unidos, declarou ao sair da piscina que este é o melhor dia da vida dele.

"Estou muito feliz, estava um pouco nervoso antes da prova, mas foi minha melhor prova", disse Cielo à AFP Cielo.

"Os três anos que passei longe da minha família valeram a pena", disse. "Hoje sou um campeão olímpico", completou.

Na área da imprensa ele foi cercado por dirigentes do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), que comemoraram muito a medalha de ouro.

O atleta de Santa Bárbara do Oeste nadou na raia 4 por ter feito o melhor tempo das semifinais, e cumpriu a promessa que havia feito depois de conquistar o bronze nos 100 m livre.

Ao perceber que havia vencido a prova, explodiu de alegria e emoção. Mais tarde, no pódio, não conteve as lágrimas ao ouvir o hino nacional e foi muito aplaudido pelo público.

Ao descer do pódio foi abraçado pelos atletas da equipe brasileira de natação, que invadiram a área dos medalhistas.

As medalhas de Pequim também servem para Cielo superar o trauma do Mundial de Melbourne-2007, em que foi o quarto colocado nos 100 m livre, apenas um centésimo atrás do terceiro.

O nadador havia declarado poucos dias antes do início das Olimpíadas que a piscina do Cubo D'Água de Pequim parecia ter 48 metros e não os tradicionais 50, devido à facilidade de deslocamento.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Mascotes jogos olimpicos de pequim


História das mascotes dos Jogos Olímpicos de Pequim 2008




Em 11 de Novembro de 2005 as mascotes dos Jogos Olímpicos de Pequim foram apresentadas ao público. A data da revelação das mascotes olímpicas não foi escolhida por acaso. Faltavam exatos mil dias para o início dos Jogos Olímpicos de Pequim.


Os "Fuwa" são as mascotes dos Jogos Olímpicos de Verão de Pequim 2008. Fuwa significa "Crianças de boa sorte" em mandarim. O nome das cinco mascotes (Beibei, Jingjing, Huanhuan, Yingying e Nini) são repetições das sílabas da frase "Be(iji-ng hua-nyíng ni" (Pequim lhes dá as boas-vindas). Cada uma das mascotes representa um dos elementos tradicionais chineses (metal, madeira, água, fogo e terra), além das cinco cores dos anéis olímpicos (amarelo, azul, verde, vermelho e preto) e figuras e animais característicos da China.


Ficha de Beibei - Mascote dos Jogos Olímpicos de Pequim 2008


Sexo da mascote: feminino

Cor da mascote: azul

Símbolo: peixe

Personalidade: generosidade e pureza

Ideal: prosperidade

Esportes: esportes aquáticos

Inspiração: imagens decorativas do Ano novo chinês

Notas: na cultura tradicional chinesa o peixe representa a prosperidade. O ideograma chinês para peixe é parecido com o da abundância.


Ficha de Jingjing - Mascote dos Jogos Olímpicos de Pequim 2008


Sexo da mascote: masculino

Cor da mascote: preto

Símbolo: panda

Personalidade: honestidade e otimismo

Ideal: felicidade

Esportes: halterofilismo, judô, etc.

Inspiração: panda gigante, Dinastia Song e porcelanas antigas

Notas: o panda é uma espécie ameaçada de extinção e um símbolo da China. Representa a coexistência entre a humanidade e a natureza


Ficha de Huanhuan - Mascote dos Jogos Olímpicos de Pequim 2008


Sexo da mascote: masculino

Cor da mascote: vermelho

Símbolo: chama olímpica

Personalidade: entusiasmo

Ideal: paixão

Esportes: esportes com bola (futebol, basquetebol, handebol, etc.)

Inspiração: desenhos de chamas nas Grutas de Mogao, também conhecidas como "Cavernas dos Mil Budas" foram declaradas patrimônio da humanidade pela UNESCO em 1987)

Notas: Huanhuan representa o Lema Olímpico "Citius, Altius, Fortius" (Mais rápido, mais alto, mais forte)


Ficha de Yingying - Mascote dos Jogos Olímpicos de Pequim 2008


Sexo da mascote: masculino

Cor da mascote: amarelo

Símbolo: antílope-tibetano

Personalidade: vivacidade e astúcia

Ideal: saúde

Esportes: atletismo

Inspiração: costumes do Tibete e Xinjiang (regiões autônomas do oeste da China)

Notas: o antílope-tibetano é uma espécie ameaçada de extinção e símbolo do planalto tibetano


Ficha de Nini - Mascote dos Jogos Olímpicos de Pequim 2008


Sexo da mascote: feminino

Cor da mascote: verde

Símbolo: andorinha

Personalidade: inocência

Ideal: boa sorte

Esportes: ginástica

Inspiração: andorinhas e as pipas (papagaios) chinesas

Notas: na cultura chinesa a andorinha é considerada a mensageira da primavera, simbolizando boa sorte. O ideograma chinês para andorinha é usado também no ideograma Yanjing, antigo nome de Pequim. Nini usa uma pipa chinesa em formato de andorinha em seu chapéu.

Pequim 2008

Quem pode parar Michael Phelps na busca pelos oito ouros em Pequim?



O fenômeno Michael Phelps, que já venceu cinco provas nas Olimpíadas de Pequim, está a caminho do recorde de oito ouros em uma só edição, superando o compatriota Mark Spitz (Munique-1972), que tem sete. Faltam apenas três disputas: os 200m medley, os 100m borboleta e o revezamento 4x100m medley. Mas a tarefa do americano não será tão fácil. Os adversários e o cansaço podem dificultar a empreitada.

Ian Crocker (à esquerda), Laszlo Cseh e Ryan Lochte: estes podem ser os obstáculos de Michael Phelps.

A prova que será disputada às 23h48m desta quinta-feira (de Brasília), os 200m medley, não será tão complicada. Dois adversários, o americano Ryan Lochte e o húngaro Laszlo Cseh, podem incomodar (confira os tempos na tabela ao final do texto). Thiago Pereira corre por fora. - O Cseh já nadou os 200m borboleta na casa de 1m52s. Além disso, ele mostrou preparo nos 400m medley. O Lochte, por sua vez, vai nadar a final dos 200m costas 20 ou 30 minutos antes, e o cansaço pode atrapalhar. De repente, o Thiago pode conseguir um bronze. A disputa deve ficar mesmo entre o Phelps e o Cseh - diz Álvaro Taba, técnico do Pinheiros, primeiro a treinar o brasileiro César Cielo, medalha de bronze nos 100m livre em Pequim.

A prova mais fácil deve ser o revezamento 4x100m medley. Os Estados Unidos reinam absolutos na disputa, com as dez melhores marcas de todos os tempos. Desde 1982, apenas o país bateu os recordes mundiais. - A vitória dos Estados Unidos no 4x100m é barbada. Os americanos não têm adversários.


Para mim, este deverá ser o trabalho mais fácil de Phelps na busca pelas oito medalhas de ouro em Pequim.. O recorde mundial dos Estados Unidos nesta prova é quase quatro segundos melhor que o seu tempo de classificação para Pequim (3m30s68 contra 3m34s37). Mesmo assim, os americanos estão na primeira posição neste quesito. A Austrália é a segunda melhor, mas longe dos rivais.

O grande desafio de Michael Phelps será os 100m borboleta. Seu grande adversário nesta prova deve ser o compatriota Ian Crocker, um especialista na distância. Além disso, o nadador terá outro empecilho, o cansaço, enquanto o rival nada apenas esta prova em Pequim. - O Ian Crocker é o grande adversário nestas últimas provas. Ele é imprevisível e pode estragar a festa. O rival vai estar louco para ganhar, já que o Phelps vai estar mais cansado. Os americanos são muito competitivos e os dois vão querer esta medalha. A nadadora Mariana Brochado, comentarista do SporTV nas Olimpíadas de Pequim, acha que a motivação de Michael Phelps vai fazer a diferença. - Ele está muito empolgado e todos nos Estados Unidos e em Pequim torcem por ele. O Phelps está em sua melhor forma e sabe disso. Só uma zebra pode tirar este recorde dele. Mas acho que nem isso vai atrapalhar. Este resultado será muito bom para o esporte - diz Mariana.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Eleição de Obama pode despertar os EUA a questões políticas, diz professor


Décadas após os movimentos civis desencadeados pela eleição do presidente John F. Kennedy (1961-1963) e pelo líder afro-americano Martin Luther King --cuja morte fez 40 anos em 4 de abril-- uma eventual vitória do pré-candidato democrata Barack Obama nas eleições gerais de 4 de novembro pode desencadear um movimento sem precedentes na sociedade civil norte-americana, na opinião do professor de Harvard e ativista político Marshall Ganz.

"Eu acho que cerca de 40 anos após os assassinatos de [Martin Luther] King e de [John F.] Kennedy, que deixaram o país na escuridão, temos uma nova oportunidade," disse Ganz, que leciona em Harvard e faz pesquisas sobre liderança, organização e estratégia em movimentos e associações civis e políticas, em entrevista por telefone à Folha Online.

O especialista diz acreditar que a eleição de Obama seria uma "oportunidade para a sociedade americana voltar a ser protagonista de mudanças expressivas nos rumos do país".

"Quando John F. Kennedy foi eleito presidente, ele não teve a iniciativa de promover os direitos civis. Mas o fato de ele ser o presidente encorajou os líderes dos movimentos de direitos civis a mobilizarem suas bases. Eu acredito que o momento atual é o de aproveitar a oportunidade que a candidatura de Obama apresenta", diz o professor, que é PHD em sociologia por Harvard e antes de se tornar acadêmico, nas décadas de 1960 e 70, foi um ativista em sindicatos, organizações políticas, comunitárias e de direitos civis.

Para o analista, o tipo de liderança política que o senador Obama oferece ao país já foi experimentada de forma semelhante em outros momentos. "Nós a vimos em [Abraham] Lincoln, em [Franklin] Roosevelt (1933-1945) e em [Ronald] Reagan (1981-1989). Estes presidentes perceberam que mover a política em uma direção diferente significaria mexer com as tradições, valores e fontes morais mais profundos na cultura política deste país".

Esquerdas no poder na América Latina


De acordo com a cientista política Céli Regina Pinto, nunca a América Latina teve tantos governos alternativos às estruturas antigas de poder. “E o Brasil, com o Partido dos Trabalhadores, foi inaugural neste panorama, seguido de todos os outros.” Na Argentina, Néstor Kirchner (2003); no Uruguai, Tabaré Vásquez (2005); no Chile, Michelle Bachelet (2006); na Bolívia, Evo Morales (2006); na Venezuela,

Hugo Chávez (2000 e 2006); no Equador, Rafael Correa (2007).
Céli, que é professora do Departamento de Ciências Políticas do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da UFRGS, destaca o desenvolvimento de bolsões de pobreza nos últimos anos como um dos aspectos importantes para o estabelecimento do atual quadro político. “O empobrecimento resultou do radicalismo neoliberal, e é justamente o aprofundamento desta desigualdade que une as esquerdas latino-americanas em torno de um único objetivo: superar o profundo fosso entre os ricos e os pobres.”

Mas os novos governos têm características muito próprias e podem ser classificados em três tipos de esquerda: a partidária, a populista e a dos movimentos sociais. No primeiro segmento, Céli inclui o Brasil, a Argentina e o Chile; no segundo, a
Venezuela; e, no terceiro, Bolívia e Equador.

“Entretanto, não é possível comparar Bachelet e Kirchner: enquanto a presidente do Chile vem de um partido socialista de um país com traços muito específicos, o representante argentino não tem tradição de esquerda.” Céli afirma que Kirchner foi um candidato inexpressivo, tendo chegado ao poder com apenas 20% dos votos. Quanto a Lula, ela considera que seu governo é de centro-esquerda, ainda que o PT tenha sempre se apoiado em movimentos populares, como o Movimento dos Agricultores Sem Terra (MST).

Para a cientista política, Hugo Chávez é um militar que não conseguiu dar um golpe de estado, mas acabou se elegendo em um momento favorável à Venezuela. Em função das guerras no Oriente Médio, principalmente no Iraque, o preço do petróleo foi às alturas, e Chávez ficou numa posição propícia para fazer políticas sociais e tornar-se popular. Ele está criando o chavismo, assim como, no passado, outros governos populistas criaram suas siglas: justicialismo de Juan Perón/Argentina e aprismo de Haya de La Torre/Peru.

Tais características de Chávez o distanciam do processo boliviano, “pois Evo Morales é um representante de movimentos sociais pobres, principalmente dos cocaleros”. Segundo Céli, sempre que existe base de militância – seja partidária ou de movimentos sociais – está nascendo um líder popular, mas nem todo líder popular é populista. Nesse sentido, ela arrisca afirmar que o presidente eleito no Equador, Rafael Correa, é um fenômeno semelhante a Evo Morales. “Tem o apoio do Movimento Pachakutik, da Esquerda Democrática e do Movimento Popular Democrático, e quer convocar uma nova constituinte.”